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Cinema Experimental Piauiense

O fenômeno do Cinema Experimental no Piauí se configurou como uma das trincheiras da "guerrilha semântica" empreendida pela juventude que questionava os padrões e discursos vigentes na época, sobretudo no recorte dos anos 1970 e 1980. A trajetória dessa produção, operada majoritariamente em bitola Super-8 mm, inicia-se de forma fulgurante em 1972, com o marco inaugural desse ciclo, conhecido como Espectro Torquato Neto, o curta Adão e Eva do Paraíso ao Consumo (1972), filme infelizmente perdido nos dias de hoje. Na continuidade dessas produções, muito inspiradas pelas vanguardas artísticas contraculturais e nos escritos do artista piauiense Torquato Neto (daí o nome do espectro), seguem filmes marcados por narrativas experimentais, antilineares e irônicas, que brincavam e reimaginavam os códigos urbanos e sociais. Muitos filmes utilizavam a figura do serial killer ou o terror para metaforizar a repressão policial e o sufocamento das liberdades individuais. O humor ácido e a paródia eram as ferramentas para ridicularizar o discurso oficial de "progresso" do governo. Esta "movimentação" teve seu epicentro na chamada Turma do Gramma, um bando de jovens — como Edmar Oliveira, Durvalino Couto, Carlos Galvão e Arnaldo Albuquerque — que se reunia na grama da Praça São Benedito ou na casa de colegas

Embora esse grupo, muitas vezes chamado de Geração Gramma, mantivesse uma postura de "desbunde" e crítica micropolítica aos costumes, sua produção dialogava de forma complexa com o Cineclube Teresinense. Fundado em 1962 sob influência eclesiástica no Colégio Diocesano, o Cineclube foi o responsável pelo letramento cinematográfico inicial da juventude local, oferecendo cursos de técnica e história do cinema que, paradoxalmente, serviram de base para que os jovens experimentadores rompessem com o cinema clássico. Assim, o cinema experimental desenvolvido em Teresina durante a década de 1970 não se consolidou de forma isolada, mas a partir de redes de sociabilidade advindas de diversas frentes.

Já na virada para a década de 1980, o panorama experimental sofreu uma mudança de paradigma com a emergência do Grupo Mel de Abelha, formado por estudantes como Luis Carlos Sales e Valteri Duarte. Diferente da subjetividade anárquica da Geração Torquato Neto, o Mel de Abelha focava na crítica social direta e em problemas macropolíticos. Enquanto a primeira fase era marcadamente subjetiva e anárquica, a geração seguinte sofisticou o uso do Super-8 para a denúncia social.

Em suma, o cinema experimental piauiense foi um ato de guerrilha que transformou a precariedade técnica em potência plástica​. Frequentemente registradas na organicidade do Super-8, essas produções buscavam externalizar posições pessoais e construções que refletiam ideias políticas e protestos comportamentais, impulsionados por diferentes formas de manifestação e múltiplos significados.

O nosso repositório está dividido em agrupamentos de alguns desses contextos: Espectro Torquato Neto; Cine-Clube Teresinense, e seu "herdeiro", Grupo Mel de Abelha; e coleções de dois diretores que se destacaram pela maior dedicação e pluralidade de produção cinematográfica: Antônio Noronha e Arnaldo Albuquerque.

Espectro Torquato Neto

Cine-clube Teresinense e Grupo Mel de Abelha

Coleção Arnaldo Albuquerque

Coleção Antônio Noronha

 

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Nome: Kamila Vytória Santos e Silva
CPF: 059.400.553-11

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